A nanotecnologia, a ciência que manipula materiais em escala nanométrica, já ultrapassou os limites dos laboratórios e passou a integrar, de forma concreta, a rotina do agronegócio global e brasileiro. O que antes era visto como uma tecnologia emergente hoje se consolida como uma ferramenta estratégica para enfrentar desafios históricos do setor, como as perdas pós-colheita, o uso ineficiente de insumos e a crescente demanda por sistemas produtivos mais competitivos.
Consolidada como campo de pesquisa nas décadas de 1990 e 2000, a nanotecnologia passou a impactar diferentes etapas das cadeias agrícolas, da produção à comercialização. Esse avanço está diretamente relacionado ao entendimento de que materiais em nanoescala apresentam propriedades físicas, químicas e biológicas distintas daquelas observadas em escalas maiores, principalmente em função do aumento da área superficial e das alterações nas interações físico-químicas.
Essas características possibilitam o desenvolvimento de partículas, filmes e sistemas funcionais com maior reatividade química, propriedades mecânicas aprimoradas, eficiência superior na entrega de ativos e respostas controladas a estímulos ambientais. Tais atributos são fundamentais para aplicações na agricultura moderna, especialmente em um cenário que exige ganhos de produtividade aliados a práticas cada vez mais responsáveis do ponto de vista ambiental¹.
DO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO AO USO NO CAMPO
A trajetória da nanotecnologia até sua incorporação no agro tem sido guiada pela busca de soluções para problemas concretos enfrentados em toda a cadeia produtiva de alimentos. Desde os primeiros estudos, o foco esteve em compreender como as propriedades únicas dos nanomateriais poderiam contribuir para o controle mais eficiente de pragas, o uso racional de fertilizantes e defensivos, a redução de perdas pós-colheita e o monitoramento mais preciso das lavouras.
No Brasil, iniciativas como a Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio, coordenada pela Embrapa e criada em 2006, desempenham papel central nesse processo. Os projetos desenvolvidos abrangem desde sensores para monitoramento ambiental até filmes protetores e embalagens inteligentes e ativas para alimentos, reforçando a integração entre pesquisa científica e as demandas do setor produtivo².
Esses avanços já se refletem em aplicações práticas no dia a dia do campo. O desenvolvimento de fertilizantes nanoestruturados, já disponíveis principalmente no mercado internacional, com produtos como Nano Calcium, Nano Green e Biozar Nano-Fertilizer, apresentam maior eficiência mesmo quando aplicados em menores doses. Na prática, essa abordagem favorece o melhor aproveitamento dos insumos, a redução dos custos operacionais e a diminuição da carga química aplicada ao ambiente³.
No pós-colheita, a nanotecnologia também tem ganhado espaço. Empresas de base tecnológica, como a NanoFood, têm avançado no desenvolvimento de revestimentos nanotecnológicos com ação antimicrobiana voltados à conservação de frutas. Essas soluções atuam diretamente na preservação da qualidade dos produtos ao longo do armazenamento e da comercialização, contribuindo para a ampliação da vida útil e para a agregação de valor à cadeia agroalimentar².
Do ponto de vista socioeconômico e ambiental, a presença efetiva da nanotecnologia no campo representa um avanço relevante na modernização dos sistemas produtivos. Ao permitir maior controle sobre o uso de insumos, reduzir desperdícios ao longo da cadeia e aprimorar o monitoramento das culturas, essas soluções contribuem para ganhos de eficiência e para a mitigação de impactos ambientais do processo produtivo.
Estudos indicam que a nanotecnologia pode atuar como uma importante aliada no enfrentamento de desafios como a degradação do solo, a intensificação de eventos climáticos extremos e a insegurança alimentar global⁴, reforçando seu papel estratégico no futuro do agronegócio.
CIÊNCIA APLICADA COMO MOTOR DO AGRO DO FUTURO
A jornada da nanotecnologia do laboratório ao campo evidencia o papel central da ciência aplicada nacional na transformação do agro. A integração entre pesquisa, inovação e mercado tem permitido que soluções tecnológicas avancem de forma consistente, atendendo às exigências contemporâneas de produtividade, segurança e responsabilidade ambiental.
Nesse cenário, empresas como a NanoFood atuam como agentes ativos dessa transformação, conectando conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e demandas reais da cadeia agroalimentar. Ao investir em soluções nanotecnológicas voltadas à conservação pós-colheita, a empresa contribui para a valorização dos produtos agrícolas e para o fortalecimento de sistemas produtivos mais eficientes.
Assim, a nanotecnologia deixa de ser apenas uma promessa científica e se consolida como um vetor estratégico de inovação no agro, abrindo caminho para um futuro em que ciência, mercado e sustentabilidade avançam de forma integrada.
REFERÊNCIAS
- Embrapa – Avanços no uso da nanotecnologia no agro
Portal Embrapa – Visão de Futuro (sobre aplicações de nanotecnologia no agro)
https://www.embrapa.br/visao-de-futuro/biorrevolucao/sinal-e-tendencia/avancos-no-uso-da-nanotecnologia-no-agro Embrapa - Embrapa – Nanotecnologia na agricultura e na agroindústria
Infoteca Embrapa – Nanotecnologia na agricultura
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1110843/1/POsfrutosdacienciainvisivel.pdf Infoteca Embrapa - Embrapa – Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio
Embrapa Instrumentação e projetos de nanotecnologia
https://www.embrapa.br/busca-de-projetos/-/projeto/38194/nanotecnologia-aplicada-ao-agronegocio Embrapa - Insper – Como a nanotecnologia está influenciando o agronegócio
Agro in Data – nanossensores, nanofertilizantes e impactos
https://agro.insper.edu.br/agro-in-data/artigos/como-a-nanotecnologia-esta-influenciando-o-agronegocio agro.insper.edu.br